21 de janeiro de 2018

Ontem disse a um amigo que não formulei planos grandiosos pra vida. De repente viajar, conseguir morar na praia, viver melhor e de forma mais simples, depender menos de dinheiro. Ver meu filho crescer. É grandioso o bastante?

Mais tarde comecei a fazer uma lista de planos comezinhos. De vontades pequenas, que podem ser satisfeitas em curto espaço de tempo. Ei-las:

– ser mais disciplinada com a casa é a rotina;

– voltar a praticar esportes com prazer e regularidade;

– ir mais à praia;

– me desarmar um pouco frente às pessoas;

– comer melhor;

– fazer um ensaio fotográfico sem roupa (isso mesmo. Não aqueles tipo boudoir, tem nada a ver comigo. Sem julgamentos, mas não é pra mim);

– falar menos, observar e escrever mais;

– diferenciar mais o que quero do que o que se espera de mim;

– rir e dançar mais;

– fazer uma sessão de massagem tântrica;

– voltar a usar anéis;

– largar de mendigar atenção;

– meditar com regularidade;

– fotografar o mundo à minha volta, registrando o que me dá vontade (quem sabe uma câmera legal?).

Acho que tá bonzinho.

Você tem planinhos pra esse ano? Quer me contar?

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15 de janeiro de 2018

A visão do casal de mãos dadas em meio ao movimento frenético da estação de metrô me deixou nostálgica.

Não entendi muito bem o sentimento. Primeiro pensei que estar ali naquele horário em meio a tantas pessoas me remetida a todas as vezes em que cheguei à cidade e fui esperar alguém ou era eu mesma esperada. Encontros felizes. Depois pensei também que a visão do casal contrastava justamente com o contrário, com tudo o que foi pensado e irrealizado.

Uma hora depois, acomodada em outro ônibus, concluí que me atraiu na cena sobretudo a ideia de que aquelas duas pessoas conversando e sorrindo enquanto andavam sem pressa formavam uma unidade à parte naquele caos aparente: uma bolha que o barulho intenso e a confusão não conseguiam penetrar.

11 de janeiro de 2018

Estou em férias. Tempo demais pra pensar. E fiquei agora matutando sobre como é mais difícil do que parece o tão falado exercício da leveza.

O senso comum faz parecer que é só acordar, tomar banho, vestir roupas em tons claros, tomar leite desnatado com frutas e sair por aí sorrindo e cantarolando. É como se você virasse um Carefree ambulante, sempre leve, fina e fresca (espero que a referência não seja retrô demais. Percebi agora que nem sei se ainda existem Carefree e propaganda dele na televisão).

Mas é mesmo um exercício. Que você vai ter que fazer apesar de todas as intempéries. Como ir correr: vai com sol, vai com garoa, vai no final de semana. Acrescenta mais quilometragem aos poucos, melhora o ritmo paulatinamente.

Pra algumas coisas está tranquilo tocar essa programação mental toda. Pra outras acabo precisando usar técnicas mais bruscas, por assim dizer: como o adulto que dá tapa na mão da criança que vai enfiar o dedo na tomada. Refrain. Refrain. Acalma a mente. Sai do modo catástrofe. Você não quer parar numa maca de hospital novamente. É tudo apego. É tudo narcisismo. Você é melhor que isso. Você não está no controle.

Ainda assim os insights inconvenientes, os diálogos mentais dolorosos. Ou apenas impossíveis e que vão incomodar e machucar por sua natureza irrealizável.

Feche os olhos. Respire. Nada está sob controle.

 

 

 

10 de janeiro de 2018

É uma pena mas assim como besteiras e negatividade precisam ser filtradas, elogios também. Elofensas, condescendência, mentira, chantagem. Elogios se degradam em algumas bocas assim como metais se oxidam em contato com ar e umidade (acho ACHO que a comparação ficou ruim, diz aí). E a pessoa esperta vai saber usar o elogio certo. Tem um ou dois que são os clássicos no meu caso e aprendi da pior forma a não acreditar muito nas pessoas: minha posição natural é agora o pé atrás.

Mas um dia, faz tempo, o imprevisto e inédito: “você me traz paz, você me faz sentir tranquilidade. Eu durmo melhor com você do lado.”

Descontados contexto e fonte do elogio, eu quero acreditar, sabe? Não é questão de se ver pelos olhos alheios e precisar disso pra viver (meta é eliminar totalmente esse sentimento). Mas às vezes faz um pouquinho de falta. Acho que isso, isoladamente, não me torna alguém dependente emocional e carente, hm?

2 de janeiro de 2018

Acordei cedo como não fazia há dez dias pra me despedir das visitas. A vista tão linda está coberta por uma camada consistente de neblina e chove a cântaros.

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Eu percorria uma das cidades que amo, reconhecível apesar da geografia toda embaralhada comum aos sonhos. Passava seguidamente por dentro de lojas, atravessava ruas sem olhar, corria ladeiras abaixo e repetia as voltas, como nos filmes em que as coisas se repetem e se modificam por uma parada a mais num semáforo. Encontrava uma manifestação desordenada e barulhenta, pessoas conhecidas a quem contava que minha mãe vai se aposentar, e me livrava do tumulto correndo rua abaixo, em direção ao outro lado da avenida.

Cruzei uma, duas, três paralelas à avenida, ladeira acima, e na quadra de baixo entrevi o movimento do seu quarteirão. Você passou com um cachorro na coleira, me viu e veio falar comigo. Eu usava uma espécie de roupão azul marinho por cima da roupa.

Com ar sarcástico você chegava perto do meu rosto (o cachorro já sumira da cena) e dizia que eu não conseguia mesmo parar de pensar em você, lá estava eu na sua esquina. Não lembro o que respondi. Nossas bocas quase se tocavam, como naquele milissegundo delicioso de desejo e expectativa que antecede um beijo. E você me beijou. Ignoramos a rua, as pessoas, conversamos falando baixinho, rostos quase grudados, ao pé do ouvido. Confissões e vontades.

Mágica. Devo ter acordado sorrindo, mesmo com o cachorro me cutucando com o focinho gelado e pedindo pra sair pra varanda. Vou considerar esse sonho um presente seu de Ano Novo e de despedida.

31 de dezembro de 2017

Descobri só adulta que minha mãe e minha avó materna nunca se bicaram. Na adolescência e início da vida adulta o negócio era feio, as duas mal se falavam, viviam às turras. Foi muito doido pensar que aquela avó tão querida aparentemente era tirana e arbitrária, cruel com a filha mais velha. Eu sei que tem as versões diferentes mas o relato do péssimo relacionamento é unânime.

Hoje minha avó não enxerga muito mais, o Alzheimer lhe levou as memórias e está levando a capacidade de comunicação. Já passamos por isso com meu avô, marido dela. Sem novidades.

Mas adivinha quem é a única pessoa pela qual minha avó pergunta?

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Custou mas acabou. Não vou sentir muita saudade de 2017. A virada de ano é simbólica, um dia qualquer, nada muda significativamente entre 23:58 e 0:01 mas repito: é extremamente simbólico esse cruzar de linha.

Que o próximo seja mais leve pra todos nós.

27 de dezembro de 2017

-Bom, falamos da agenda e a carência, como pretende lidar com ela em 2018?

-Não sei. Como faz pra se desapegar da necessidade de pessoas perto? Sem se sentir uma pessoa esquecida? Invisível? Desnecessária? Já consigo dar passos pra trás e evitar gostar/me apaixonar.

-entendendo que não ira precisar de ninguém se já tiver repleta… que a companhia é legal e bacana ,mas deve apenas agregar e não precisa dela pra viver.

-Faço isso lembrando que a consequência é dolorida. E não tenho tempo nem condições de lidar com dor.

-evitar gostar e se apaixonar não é nenhum mérito, mérito é fazer boas escolhar pra se apaixonar

-Eu aceitei que não faço boas escolhas.

-mas pq teria que lidar com a dor se as escolhas fossem adequadamente feitas?

-Exato. Não escolho bem, não sei escolher. Dá errado, causa dor. Então não.

-aceitar, sem pô-la em prática, não ajuda muito no quadro. acho que esse não é o melhor caminho. desistir de um sentimento tão nobre pelo fato de não saber fazer boas escolhas. proporia melhorar as escolhas, pra conseguir se jogar.

-Qual é? Eu evito pq não reconheço em mim qualidades que fariam alguém gostar de mim quando eu gosto dela. Eu não provoco isso de gostar. Não nas pessoas de quem achei que gostei. Então deixei pra lá. Não acredito mais que seja pra mim.

-esta jogando a toalha. veja bem qdo vc desiste, o outro ganha.

-Sim. Fui jogando ao longo do ano.

-acho que antes de tratarmos a carência, precisamos tratar a baixo autoestima.

-Não me atrevo.

-pq não?

-Pq não quero mais lidar com dor.

-não lidar com a dor, não significa resolve-la. ela estará sempre presente, faz parte de vc, se não lidar com ela agora, terá que lidar em algum momento.

-Varrer pra baixo do tapete, né.

-Exato. então, acho que mais vale ver a ordem das coisas a serem resolvidas, ignora-las não ajudará mto, pelo contrario, só atrasará o caminho.

-Não sei como resolver isso. O mantra “ame-se” não ressoa em mim.

-Ah, o mantra pode ser uma ferramenta de auto ajuda, mas ele sozinho não muda comportamento…