11 de janeiro de 2018

Estou em férias. Tempo demais pra pensar. E fiquei agora matutando sobre como é mais difícil do que parece o tão falado exercício da leveza.

O senso comum faz parecer que é só acordar, tomar banho, vestir roupas em tons claros, tomar leite desnatado com frutas e sair por aí sorrindo e cantarolando. É como se você virasse um Carefree ambulante, sempre leve, fina e fresca (espero que a referência não seja retrô demais. Percebi agora que nem sei se ainda existem Carefree e propaganda dele na televisão).

Mas é mesmo um exercício. Que você vai ter que fazer apesar de todas as intempéries. Como ir correr: vai com sol, vai com garoa, vai no final de semana. Acrescenta mais quilometragem aos poucos, melhora o ritmo paulatinamente.

Pra algumas coisas está tranquilo tocar essa programação mental toda. Pra outras acabo precisando usar técnicas mais bruscas, por assim dizer: como o adulto que dá tapa na mão da criança que vai enfiar o dedo na tomada. Refrain. Refrain. Acalma a mente. Sai do modo catástrofe. Você não quer parar numa maca de hospital novamente. É tudo apego. É tudo narcisismo. Você é melhor que isso. Você não está no controle.

Ainda assim os insights inconvenientes, os diálogos mentais dolorosos. Ou apenas impossíveis e que vão incomodar e machucar por sua natureza irrealizável.

Feche os olhos. Respire. Nada está sob controle.

 

 

 

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4 comentários sobre “11 de janeiro de 2018

  1. Oi 🙂
    Estou nesse exercício há quase dois anos. Tem dias que é mais fácil, o resultado vem que é uma beleza, em outros dias é uma pedreira. Mas, pra mim, esse exercício é o que me mantém viva, literalmente.
    Comigo, de início, eram só as “técnicas bruscas” que funcionavam. Hj em dia, um pouco delas; outras coisas já foram automatizadas (e isso é um tremendo progresso).
    Tem hora que dá vontade de jogar tudo isso pro alto; é muito trampo, é muito esforço mental diário, a vontade é “me deixa ser um bicho e viver por instinto”. Daí é aquilo: você não que estar na beira do precipício de novo, escolhendo qual instrumento vai te levar pra fora da vida de fato. E então meto o rabo no meio das pernas e sigo exercitando. E a vida é isso. E vai ser assim e ponto.

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    • Xuxu (amo te ver por aqui. Aliás, meta pro ano, pra vida, é externar mais amor. Usar a palavra, o verbo, que viraram tabus pra mim.), até agora tô indo. Férias, né. Daí é mamão com açúcar e chantilly (eca). Amanhã começa a prova de fogo. Eu sei que vai ter dia que o trem vai empacar. Mas eu tenho uma sensação engraçada de que algo tá diferente em mim, minha disposição está diferente. Tô cansada de viver me monitorando, alerta pra pensamentos e sensações. Ficar se autoavaliando desgasta e cansa tanto. Mas é também dessa prática que a gente tira a coisa toda. Então vamos em frente. Não quero ir parar, no meio de uma tarde, na maca do hospital, pra tomar analgésico e calmante, e não quero mais nunca mais enfrentar a Rebordosa e a sensação de falha e derrota que vem depois.
      Tchiamu. :*

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