3 de abril de 2017 – extra

Pois é. É uma canção de amor. Apesar de ser de dissolução. A original dilacera, comove. Essa enternece. Quase.

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3 de abril de 2017

Vocês não fazem ideia do que aconteceu: dormi e não lembro do que sonhei. Achei ótimo.

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O menino desenvolveu um gosto ~que nem sei de onde veio, claaaaro~ por garimpar informações sobre filmes, sabe aquela cultura de almanaque? Então. Não sei de onde veio. Mas ele armazena uma quantidade impressionante de informação totalmente inútil, se formos olhar de um ponto de vista totalmente utilitarista, que eu detesto aliás.

Ontem começou falando de Framboesa de Ouro, perguntou que filmes nunca foram indicados pra Oscar e podiam ter ganho algo e foi cair nas animações do Studio Ghibli. A favorita dele até agora é A viagem de Chihiro e ele ficou maravilhado de ver que foi a única animação do Hayao Miyazaki a ganhar um Oscar, de melhor animação em 2003. Conversamos até tarde sobre o filme.

Mais uma vez acordou minha obsessão com mundos e realidades paralelas (por que será, hm?), a associação com todos os que criaram portas secretas, passagens por dentro de árvores, portais, espelhos; guarda-roupas fundos, buracos, estações de metrô esquecidas, cabines telefônicas.

Olho pra trás e desejo que o armário sem-graça atrás de mim pudesse levar a outro lugar, outro momento, outra vida.

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2 de abril de 2017

Ontem me disseram que tenho “cara de rica”. Problematizações à parte, decidi tomar como elogio. Mesmo estando impermeável a eles e escaldada o suficiente pra não crer.

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Eu vivia com minha mãe e precisava chegar (da aula? Trabalho?) em meio a uma chuva absurda, me aprontar e sair pra um ensaio importante de ballet.  A casa ficava nos fundos de uma praça onde  o havia uma igreja sendo reformada, e o barro vermelho sendo que se formava e descia pela praça e pelos degraus dela me lembrou na hora “Crimson Peak” (“A colina escarlate”, o filme). Haviam me escolhido pra dançar e alguém me ensinava como eu devia posicionar o corpo pra ser levantada. Eu explicava que era minha despedida do ballet.

No meu desespero eu não encontrava roupas limpas pra dançar: collants velhos que eu achava que nem me caberiam mais, meias rosas imundas. Uma saia emprestada da minha irmã. No fim não achei as sapatilhas, fui sem e quando cheguei fiquei aliviada ao reparar que outras pessoas estavam descalças e desmazeladas também. O coreógrafo falava em inglês, francês, era muito prolixo. E parecia o Gérard Depardieu.

1 de abril de 2017

 

Primeiro sonhei com perfumes e encantamentos – a influência clara de “As brumas de Avalon” e das merdas desaatradas cometidas por Morgana das Fadas, quase meu duplo literário.

Depois eu me mudava, com meu filho e alguns de nossos pertences, para a casa de alguém. Não ficou claro o propósito. Mas ao cabo de alguns dias fomos mandados embora, inclusive depois que uma das meninas disse que odiava o fato de que eu corria mais que ela. As pessoas todas nessa família do sonho existem na vida real mas sequer se conhecem.

Então fui com meu filho em busca da casa que havíamos deixado, ainda com nossos pertences dentro. Era um condomínio com prédios baixos, duas ruas de mansões (uma delas era do Ozzy Osbourne e já havia aparecido em outro sonho, percebi no mesmo momento). Eu tinha certeza de não ter devolvido o imóvel na imobiliária, por isso minhas coisas estavam lá ainda. Era domingo, chovia, a imobiliária estava fechada e eu não sabia onde ia dormir com meu filho. Outra família visitava a casa mas o pai decretava que a achara “desorganizada” (ahaha era minha casa, indubitavelmente). Foram embora e eu precisava pegar a casa de volta, minhas coisas todas lá. Inventariei as casas em que havia morado, lembrei do dia da mudança e de como havia disposto os móveis primeiro e pensei na trabalheira que ia ser colocar tudo em ordem novamente. Chovia e precisávamos dormir.

 

 

C’mon and kill me baby

Whilst you smile like a friend.

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A energia incrível de ontem tirou uma folga. Vi alguém muito parecido com você na rua, mais alto mas a mesma cor de cabelos, mesmo jeito de colocar os óculos na cabeça. Tênis, mochila, provavelmente vindo devolver algum livro ou estudar. O coração não teria pulado uma batida ou duas se eu já tivesse conseguido parar de pensar em situações fantasiosas que envolvem seu aparecimento na minha frente, repentinamente.

Se eu ao menos parasse. Se eu ao menos me reaprendesse.

31 de março de 2017

Acordei com o despertador tocando, depois de mais um dos proverbiais sonhos com praia. Na verdade primeiro sonhei com alguma formatura à qual precisava comparecer, e não conseguia colocar todo mundo no carro, depois não conseguia passar pelas ruas porque elas tinham muitos buracos e barro, depois o perigo de perder hora, depois acho que alguém também desistia de ir. Em algum momento vislumbrei a antiga sala de estar da casa dos meus avós maternos.

Então a praia. Havia alguma coisa sendo filmada lá, na verdade eu primeiro estava na filmagem e depois reassistia às cenas, achando engraçado as cadeiras e mesas amarelas escrito “Skol” e as pessoas deitadas ao sol cheias de areia, os gringos que não sabiam tirar suas coisas do caminho quando a água ia subir. Depois voltava a entrar na filmagem. Era uma faixa de terra onde inclusive havia um prédio, vazio, porque a maré avançara demais e os moradores precisaram ir embora. Dava pra ver a sala de cada apartamento, chão de madeira e vidro à volta toda. E as ondas ficavam maiores. Sempre ficam maiores progressivamente, nos meus sonhos, e eu normalmente assisto de longe, assustada.

Em outro momento eu abria a caixa de e-mails e via que havia uma mensagem que eu queria muito ler. Mas não conseguia chegar a ela, precisava passar pelas outras primeiro, e quando achava que ia conseguir clicar nela (meu desespero era porque eu via um pedaço do conteúdo, uma espécie de “teaser” – é snippet que chama aquela primeira linha que a gente consegue visualizar dependendo da configuração, é isso? ou é outra coisa? – e era algo que eu queria demais ler, achava que era um sonho), ficavam se abrindo janelas pop-up imensas, vermelhas. Acordei triste.

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Onze dias. Depois mais dez, mais dez, mais onze, mais dez e assim por diante. Preciso parar de pensar em tempo na curtíssima duração. Preciso deixar não o tempo, mas datas pra trás. Para o diabo com a história factual, mesmo na dimensão pessoal.

30 de março de 2017

 

Eu sempre disse que não era a Summer. Sou o Tom sem qualquer sombra de dúvida.

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Tem um trecho muito sensacional da Chimamanda Adichie, em Para educar crianças feministas, que me deixou tão comovida. Já postei aqui, ali, acolá.

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O que ela diz casa tão bem com aquela questão de ser forte, criar filhas fortes e ao mesmo tempo  me serve como um catiripapo bem dado, no momento em que eu fico tergiversando sozinha na frente da louça suja, pensando que era tão mais negócio ter sido sempre a mulher modelo boneca de porcelana. A das revistas e anuários das senhoras dos anos 40/50, a dependente, a frágil, a que deixa o homem tomar a dianteira. “Será que essas sofrem menos, porque não vêm acompanhadas do pressuposto ‘são frágeis e delicadas, então temos que cuidar delas, não vamos sobrecarregá-las’ e são mais poupadas?”, penso eu, esgotada e desgostosa.

(calma aí, já termino de desenvolver o raciocínio, volta depois que vou atualizar a postagem)

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Ganhei do médico uma tarde de folga. Considerei que foi uma recompensa porque fui muito adulta e ajuizada e lúcida e fiz uma afirmação na qual confiei e acreditei. E acredito ainda, horas depois da consulta. Sabe quando você sente verdade naquilo que diz, não alguma coisa genérica pra preencher espaço ou agradar ao interlocutor (imagina, agradar psiquiatra e terapeuta é jogar o próprio dinheiro fora, não?)?

Marquei às pressas horário e fui cortar cabelo. Quando ia estacionar havia um senhor (muito idoso ou apenas malcuidado?) parado na calçada com uma camiseta preta escrito “Star Wars” em amarelo. Condescendente, pensei “pessoal acaba ganhando ou comprando as coisas sem saber o que é, sai usando pela rua”. Mas então (sim, estou problematizando), só porque o cara parecia velho não ia saber? Pensei, envergonhada, que tenho grandes chances de ser a véia com chaveiro do Dumbledore versão Lego. E fiquei com mais vergonha ainda porque só me dei conta da minha estultice quando movi a situação pra girar em volta do meu umbigo.

Tomara que o cara tenha curtido Rogue One e O despertar da Força.